
Mas o que é ser mulher de verdade? Se me tivessem feito tal pergunta quando eu tinha quatorze anos, certamente teria uma resposta na ponta da língua. Resposta alinhada com a criação que tive. Sem muita reflexão sobre o assunto.
Mas hoje, aos trinta e quatro, não sei bem se o que tenho é, exatamente, uma resposta. Hoje não posso especificar como é ser mulher de verdade porque considero esse termo equivocado. Utilizado para praticar preconceito. Contudo, se eu tiver que trabalhar linguisticamente com ele, digo que dentro desse termo “mulher de verdade” há múltiplas formas de ser mulher. Sim. Para mim, a única forma de utilizá-lo é resignificando-o.
Posso não ter uma definição para o termo “mulher de verdade”, que corresponda a sua semântica usual. Mas tenho uma definição clara do é uma “mulher de mentira”. A mulher de mentira é a mulher idealizada pela sociedade, vale ressaltar, que por muitíssimo tempo foi regida pelo pensamento, a produção de conhecimento, as leis, código de ética/ moral, criados majoritariamente por homens. Isso mesmo, foram homens que pensaram um modo de ser mulher e o elegeram como “adequado” excluindo tudo que escapasse desse molde.
Porque quando nossa sociedade, equivocadamente, pressupõe que existe um modo de Ser que corresponde a mulher de verdade, no mesmo pressuposto a sociedade também diz que há outros modos de Ser que são de mentira. Que não são compatíveis com a postura “da mulher de verdade”. Ou seja: que não serão aceitos porque são inadequados.
Ao analisar esse simples termo (Mulher de Verdade) percebe-se o quanto o aparato Linguístico foi/é utilizado para produzir e perpetuar preconceitos. Mas que também, por meio dele, é possível desconstruir esses mesmos discursos.
Penso que nós, mulheres, somos diversas. Não há um molde que possa nos conter. Acomodar nossa existência. Somos pura força. E sim, há múltiplas formas de ser mulher que escapam do molde que para nós foi criado. E todas somos mulheres de verdade. Com nossas semelhanças e particulares. Somos sim mulheres de verdade. Afinal, existe algo mais verdadeiro do que se permitir a liberdade de Ser?!
Eu sou a mulher que eu quiser. Seja!

