Uma vida para viver com alegria

Escrevo enquanto o bule de chá está no fogo. Lembrei de um blusão de lã que minha tia fez para mim, quando eu era criança. A sensação de vesti-lo, quentinho, cheiroso e macio…

Essa mesma sensação me toca quando imagino a vida numa casinha do campo. Sim, uma casinha no campo é uma dádiva. A vida simples me encanta. O mobiliário rústico, os tons terrosos, acordar com os passarinhos, a varanda cheia de plantas, fogão à lenha, paisagens.

Ah! Já me vejo na varanda escrevendo e tomando uma farta xícara de chá. Me vejo cuidando da horta. Compondo músicas com um violão. Com as mãos na terra sim senhor. Porque viver no campo é parar para escutar a vida. Na cidade não, a cidade tem muitos ruídos. No campo tem a música da natureza. O ambiente urbano é tudo muito agitado, o passo é ligeiro. No campo é tudo mais devagar porque vida boa não tem pressa. Tem bolo de fubá com o milho colhido na roça. Tem novena na igrejinha. De noite tem contação de história.

Morar na cidade é bom. Mas morar no campo é sem igual, lá no campo a gente vive. Vive inventando estórias, vive subindo em árvores colhendo frutas pra comer na hora, vive plantando, sorrindo, vive cantando, espiando a lua, vive assoviando, tomando banho de chuva. Vive vivendo um sonho de simplicidade. Porque lá a vida é simples. Acorda-se bem cedinho, trabalha com a terra, de noite tem serenata da cigarra e clarão da lua, café quentinho e milho assado na fogueira.

Nasci na cidade mas sou do mato, minha alma camponesa tá lá, no roçado. Quando um dia eu for lá, vou pra ficar. Já disse até pras borboletas, fiz promessa ao sabiá, nunca mais voltar pra rua de asfalto, prefiro caminhar descalço na estradinha de terra e mato. Nasci na cidade mas meu coração é do mato, um dia ele me leva pra lá.

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