QUANDO OLHO NO ESPELHO
Costumo dizer que nós mulheres temos dificuldades de descobrir quem somos de verdade. Porque nascemos designadas a seguir um papel. E isso se reflete nas nossas relações. Por causa disso é muito fácil se perder no outro. Acontece que entramos e saimos de ralcionamentos nos quais, muito possivelmente, nos encaixamos, nos moldamos para caber. Cedemos as espectativas que têm de nós.
Precisamos ser submissas e serenas nas atitudes, nas decisões. Precisamos carregar, muitas das vezes, o mundo das nossas relações nas costas, mas que fique claro que nada disso é mais do que a nossa origação, nos dizem mesmo com as bocas fechadas.
Temos que ser madura “pelos dois” e isto está intrínseco nas mentes daqueles que observam, de fora, nos julgam mas quase sempre sem realmente tentar nos entender. O script da vida de quase toda mãe solo, chega um momento que, fica muito parecido. Ela tem que quer forte e suportar tudo sozinha, sem deixar a peteca cair, afinal, ela é a mãe e mães fazem isso.
Ninguém, além de outra mãe, pode saber saber o que é isso. Ninguém que não esteve nessa experiência pode saber o que tudo isso custa para nós. Somos aquelas que, quando não suportamos mais uma relação abusiva mas que não envolve espancamento ou qualquer forma de violência física, nos chamam de egoísta, megera, desalmada por tirar a possibidade dos filhos serem criados numa família com um pai.
Vestimos as roupas de mãe heroína com tanta força que não sobra animo para ser nada mais além disso. Mas os filhos, ao primeiro sinal de estão crescendo, nos chamam de louca. E se vão. Nós não tivemos tempo para ser outra coisa. Nos ensinaram, desde de o começo, que ser mãe e só através da maternidade é que eu tornaria mulher.
A verdade é que a grande maioria de nós não sabemos quem somos. E está difícil saber porque sair dessa roupa apertada e compulsória, a camisa de força que a sociedade nos veste, é dificil e doloroso, e talvez nem saibamos como entrar nesse caminho.
